terça-feira, 22 de setembro de 2009

PLANTAS MEDICINAIS E SEUS EXTRATOS NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA.


Muitos fármacos são produzidos a partir de plantas medicinais que são encontradas na nossa flora e têm seus efeitos benéficos retirados em forma de extratos e misturados pela indústria farmacêutica com outros químicos para a obtenção do remédio. Existem várias metodologias descritas para a preparação de extratos vegetais, visando o isolamento de seus constituintes químicos. Um dos métodos que consideramos ser o mais adequado para esta análise é a preparação de um extrato hidroalcoólico (etanol/água 50/50, v/v). Neste caso, o solvente mais adequado para obtenção do extrato bruto é o metanol, pois possibilita a extração de um maior número de compostos. Posteriormente, este extrato deve ser submetido a um processo de partição líquido-líquido, com solventes de polaridades crescentes, como hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol, visando uma semi-purificação das substâncias através de suas polaridades. No sentido de localizar os princípios ativos, todos os extratos semi-puros devem ser testados e aquele que apresentar efeito biológico de interesse, deverá ser submetido aos procedimentos cromatográficos para o isolamento e a purificação dos compostos.


O conhecimento sobre plantas medicinais simboliza muitas vezes o único recurso terapêutico de muitas comunidades e grupos étnicos. O uso de plantas no tratamento e na cura de enfermidades é tão antigo quanto à espécie humana. Ainda hoje nas regiões mais pobres do país e até mesmo nas grandes cidades brasileiras, plantas medicinais são comercializadas em feiras livres, mercados populares e encontradas em quintais residenciais. As observações populares sobre o uso e a eficácia de plantas medicinais contribuem de forma relevante para a divulgação das virtudes terapêuticas dos vegetais, prescritos com freqüência, pelos efeitos medicinais que produzem, apesar de não terem seus constituintes químicos conhecidos. Dessa forma, usuários de plantas medicinais de todo o mundo, mantém em voga a prática do consumo de fitoterápicos, tornando válidas informações terapêuticas que foram sendo acumuladas durante séculos. De maneira indireta, este tipo de cultura medicinal desperta o interesse de pesquisadores em estudos envolvendo áreas multidisciplinares, como por exemplo botânica, farmacologia e fitoquímica, que juntas enriquecem os conhecimentos sobre a inesgotável fonte medicinal natural: a flora mundial.
No trabalho de conclusão de curso da mestranda Fernanda Emendorfer Foram utilizados os extratos vegetais de: Rubus imperialis, Maytenus robusta, Epidendrum mosenii, Ipomoea pes caprae, Calophyllum brasiliense e Cynara scolymus, obtidos pelos pesquisadores da área de Fitoquímica do Núcleo de Investigações Químico - Farmacêuticas (NIQFAR) da UNIVALI, extratos estes que foram produzidos através de maceração das plantas estudadas com metanol em temperatura ambiente por um período de aproximadamente 10 dias. Procedeu-se a eliminação do solvente por evaporação em pressão reduzida. A partir do extrato bruto metanólico realizou-se a partição líquido-líquido com solventes de polaridades crescentes (hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol) para obtenção das frações semi-urificadas.
Nos últimos anos tem-se verificado um grande avanço científico envolvendo os estudos químicos e farmacológicos de plantas medicinais que visam obter novos compostos com propriedades terapêuticas. Isto pode ser claramente observado pelo aumento de trabalhos publicados nesta área, tanto em congressos como em periódicos nacionais e internacionais, além do surgimento de novos periódicos específicos sobre produtos naturais ativos, como Phytomedicine, Phytochemical Analysis, Natural Product Letter, etc.

POR: JOÃO LUIZ (FORMANDO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PELA UPE VIRTUAL)

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